“MEMENTO, HOMO, QUIS PULUIS ES ET IN PULVEREM REVERTERIS. ”

SIMBOLOGIA TUMULAR

Na arte tumular, a simbologia é uma forma de representação de determinados contextos históricos, ideológicos, religiosos, sociais e econômicos, onde a morte se torna um grande espetáculo da vida, representando a simbologia de saudades, amor, tristeza, nobreza, respeito , inocência, sofrimento, dor, reflexão, arrependimento, dando sentido às vidas passadas preservadas no silêncio dos cemitérios. A simbologia tumular designa um elemento representativo visível em lugar de algo invisível, que tanto pode ser um objeto, como um conceito ou idéia. O símbolo tem exatamente essa propriedade excepcional de sintetizar, numa expressão simples e sensível, todas as influências do inconsciente e da consciência, bem como das forças instintivas e espirituais, em conflito ou em vias de se harmonizar no interior de cada ser. Desta forma, o símbolo é muito mais do que um simples sinal, transcende o significado e depende da interpretação que, por sua vez, depende de certa predisposição para ser interpretada. Ela intensifica a relação com o transcendente. A simbologia tumular está carregada de afetividade e dinamismo que harmoniza o ser vivente perante a morte, perpetuando a vida.

CATACUMBAS

Catacumbas eram os locais que serviam de cemitério subterrâneo aos primeiros aderentes do cristianismo, para quem a fé se baseava na esperança da vida eterna após a morte. Nos primeiros 200 anos da nova religião, antes de Constantino, é provável que tenham existido vários centros artísticos com estilos artísticos próprios, como Alexandria e Antióquia, mas é em Roma que se revelam as primeiras pinturas murais em catacumbas. É nesta constante aspiração ao Paraíso que o ritual funerário do enterro, e a consequente manutenção da sepultura, vai ser o elemento chave das primeiras representações da arte cristã.

14 de mai. de 2011

NOITE - Simbologia Tumular oculta de Michelangelo - 95

Conjunto tumular






SIMBOLOGIA TUMULR


Escultura em mármore de carrara de uma figura feminina, totalmente nua, representando a Noite. É uma mulher pensativa, parecendo transmitir uma mescla de tristeza e aceitação. Mantém o corpo dobrado sobre si mesma, com o braço direito apoiado na sua perna esquerda, enquanto a sua mão vai de encontro ao rosto sereno, como se segurasse a cabeça. A perna dereita é mantida esticada e pendente para baixo, enquanto o braço esquerdo está posicionado atrás das costas sobre a máscara. Apesar do torso excessivamente  musculoso não deixa de apresentar a voluptuosidade de um corpo jovem e sensual.
SIMBOLOGIAS
 A genialidade de Michelangelo deixa transparecer sutilmente alguns sinais simbólicos, com relação ao circulo formado pela posição do braço, perna e tronco e figuras alegóricas atribuídas a noite, como a coruja, a máscara e um ramalhete de papoulas, num sentido de proteção. A coruja sentada na sombra do joelho dobrado fecha o espaço que permita o acesso às intimidades da noite. A máscara, muitas vezes representa a identidade escondida durante atividades imorais, em um ritual primitivo de passagem, uma identidade anterior deixa de existir, e é simbolicamente substituída por uma nova identidade totalmente diferente. As papoulas representam o sono, a embriaguez da noite.


Autor da obra: Michelangelo Buonarroti (Ceprese, 06.03.1475 - Roma, 18.02.1564
Título: Noite (Túmulo de Giuliano de Médici)
Local: Basílica di San Lorenzo, Florença, Toscana, Itália
Fotos:  italian-renaissance-art.com, Mike Reed, Gines Maru, entertainment.howstuffworks.com/arts
Descrição tumular: Helio Rubiales

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